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sábado, 1 de outubro de 2016

Há 4 anos morria Mestre Caboclinho do Norte; relembre a trajetória

Antonio João da Silva – o Violeiro e Mestre de Guerreiro Caboclinho do Norte – chegou em União dos Palmares aos cinco anos de idade, trazido de Correntes-PE, onde nasceu em 28 de janeiro de 1943. Passou a infância às margens do Rio Mundaú, na antiga Rua da Ponte, e sua ligação com as artes populares começou aos 10 anos, quando conheceu o Guerreiro.

Ao ensaiar os primeiros passos de Guerreiro, o menino Antonio apaixonou-se pelo auto natalino genuinamente alagoano, de caráter profano e religioso. O Guerreiro, que surgiu em Alagoas na década de 20 do século XX, é uma junção de elementos dos pastoris, cheganças, quilombos e caboclinhos, e reúne um grupo de cantores e dançadores acompanhados de sanfona, tambor e pandeiros, para contar e cantar através do sincretismo religioso a chegada do messias e a homenagear os três reis magos.

Aos 19 anos seu Caboclinho vestiu pela primeira vez a roupa de mestre, que é a figura principal do Guerreiro. Desde então comanda, com sua espada e seu incrível chapéu em formato de igreja de onde caem fitas de cetim multicoloridas, grupos de Guerreiro por todo Estado de Alagoas.

Em 1959, na antiga Rua do Apertado da Hora (nas proximidades da Rua da Cachoeira) em União dos Palmares, apresentou-se pela primeira vez com todos os componentes de seu grupo devidamente trajados. Em 1982 fundou um grupo de Guerreiro em Santana do Mundaú. Em 1994 levou a Lira, o Zabelê, o Mateu, a Estrela Dalva, os Reis e Rainhas (alguns dos inumeráveis personagens que podem compor um auto de Guerreiro) para a Vila Brejal em Maceió. E no ano seguinte estava na Chã da Jaqueira, também da Capital alagoana, ensaiando outro guerreiro e fascinando os olhos dos espectadores com suas roupas cheias de espelhos, miçangas, brilho, lantejoulas e muitas cores.

O mestre Caboclinho do Norte casou aos 23 anos com Maria Jose da Silva. O casal teve 10 filhos, dos quais apenas as filhas Neuza e Ivanilda Maria da Silva estão vivas. Para manter a família trabalhou como cabo de usina, foi funcionário da antiga Fazenda Sementeiras e ajudou a construir, em 1975, a BR 104.

A arte, no entanto, falou mais alto e foi como violeiro repentista que profissionalizou-se. Cantou por vários estado do Brasil, a exemplo de Pernambuco, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Participou de 23 festivais de violeiros, foi eleito delegado da Associação dos Violeiros e Trovadores de Alagoas – AVTA e é o organizador do Festival de Violeiros de União dos Palmares, que está em sua 18ª edição.

Seu Caboclinho morava na Rua José Hortêncio de Souza, no Bairro Roberto Correia de Araújo.

Blog  Manoel Feliciano

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