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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Crianças no Abrigo II

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Abrigo II no Final da Rua Juvenal Mendonça













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No dia 26/11/2010, fui conhecer as instalações do Abrigo II como é conhecido o local onde estão alojados os desabrigados da enchente de Junho, que fica no final da Rua Juvenal Mendonça.

Fui recebido pelo vigia e radialista Felix Oliveira, o mesmo por um momento me acompanhou por alguns minutos e passou algumas informações a respeito do lugar, tais como, a construção dos banheiros, visto que os que se encontram lá são banheiros químicos e não são adequados, pois sua manutenção de limpeza não é constante.

No momento em que fiquei só comecei a tirar as fotos e observar mais o local. Aos poucos as crianças iam chegando perto e pedindo para tirar fotos delas, que na realidade é sempre muito bom. A partir do momento que os país vêem seus filhos alegres eles começam a olhar você diferente.

No lugar hoje se encontram alojadas 150 famílias, a maioria vindas das Ruas da Ponte, Jatobá, Cachoeira, etc. Ao contrário do Abrigo I que fica atrás da Escola Salomé da Rocha Barros, no bairro dos Terrenos as barracas são maiores como dá para ver nas fotos. Para manter um mínimo de organização os moradores classificaram as "ruas" como I, II, III e etc. Para facilitar as visitas, entregas de mercadorias ou qualquer tipo de informação.

Algumas modificações também são feitas pelo próprio pessoal, como nomes e numeração nas barracas, adaptações nas portas (de madeira), pias particulares.

No local ainda dá para encontrar mercadorias à venda. Feijão, arroz, biscoitos, todo tipo de confeito e até cerveja.

No geral, o lugar é limpo (menos os banheiros) e enquanto esperam as casas serem construídas os moradores vão passando o tempo conversando e se articulando para uma possível reunião com o gestor público para que as entregas das casas contemplem os antigos vizinhos, como eram em suas respectivas ruas. Assim, quem vivia na rua da Ponte poderia ter seus antigos vizinhos por perto.

Sempre as 11:00 são entregues quentinhos, onde um carro vindo da cidade de Rio Largo, trás esses alimentos, com um papel os moradores vão recebendo suas marmitas dependendo que quantas pessoas se tem na barraca.

"A Cara da Pobreza no Brasil Tem Cor. A Cara das “Minorias” no Brasil Tem Sexo." Artur Nascimento




Professor da Educação Básica do Fundamental I – Estudante do Curso de Pedagogia da Universidade Federal de Alagoas e integrante do Grupo de Pesquisa Educação Para Relações Étnico-Raciais – CEDU/UFAL.

Marcelo: Você é natural de União, em que ano nasceu?

Artur: Nascido e registrado lá em Branquinha, já que meus pais moravam em uma zona rural próxima de lá, mas resido em União há mais de vinte anos, entretanto sou PALMARINO com muito orgulho.

Marcelo: Quais são as lembranças que você tem da sua infância e adolescência?

Artur: De um menino que sonhava e ia à busca deles e de seus ideais. Porém, curtia muito ir à escola e raramente perdia um dia de aula. É que gostava de dançar, brincar, se divertir. Mas, como compromisso e responsabilidade.

Marcelo: Você tinha quantos anos quando seu pai veio a falecer?

Artur: Terminando o fundamental I, por volta dos quinze anos de idade, ele veio a falecer de diabete. Já se encontrava debilitado há quase um ano, desde o momento em que perdeu uma perna devido à doença e veio a fazer uma outra cirurgia para retirar o braço. No decorrer da cirurgia ocorreu tudo até tranqüilo, até um dia após a cirurgia ele faleceu. Não resistindo a tanto sacrifício, sofrimento, provocado pela doença.

Marcelo: A sua família passou por dificuldades?

Artur: Não. Porque desde o momento em que minha mãe (mulher guerreira, trabalhadora, batalhadora) se separou dele, antes mesmo dele se encontrar debilitado, sempre se esforçou o máximo possível para poder dá o básico necessário a seus filhos. Que por sinal não são poucos. Mas com determinação, coragem, garra, nos criou da melhor maneira possível. Orgulho maior não há. Eluza Maria.

Marcelo: Como você vivência a questão do negro aqui em União?

Artur: Se no espaço escolar, percebo que há uma carência de formação continuada para com a temática que contemple a educação para as relações étnico-raciais, e que a cada dia que passa várias crianças negras e não negras, são vítimas de preconceito e há um silenciamento por parte dos que de fato deveria contribuir para a formação de um sujeito integro, digno, harmonioso; que perpassa primeiro pela instituição familiar para posterior chegar a escolar. Fora dele, basta indagar a população e perguntar quantas delas assumem ser negros. Isto, nos permitir afirmar que a questão do negro perpassa também por uma questão de identidade, que aqui preferimos chamar de identidade étnico-racial. E neste sentido infelizmente a cidade carece de um tantão de coisas. Basta reconhecer e admitir que as questões da consciência negra tornam-se próxima a partir do momento em que se aproxima o dia 20 de novembro.

Marcelo:Na atualidade quem são os negros de destaque em nossa sociedade?

Artur: No cenário palmarino, merece destaque a pessoa da professora mestra Márcia Suzana (que ela me permita afirmar), mulher negra, que vem a um bom tempo discutindo as questões que diz respeito ao negro em União dos Palmares, esteve à frente do núcleo étnico-racial na secretaria municipal de educação e tem sua dissertação de mestrado com o olhar sobre a comunidade remanescente de quilombos Muquém, com o recorte para o olhar nas questões étnico-racial. Além de alguns “militantes” do movimento negro em União dos Palmares, que não vem na lembrança quem são de fato, afinal as pessoas precisam se identificar no NEGRO.

Marcelo: Você é professor há quanto tempo?

Artur: De concurso no município, há cinco anos. Mas desde os quinze que dava aulas de reforço na “Escolinha Alegria de Saber” que há na rua que moro. Já lecionei na educação de jovens e adultos (Brasil Alfabetizado).

Marcelo: A que se devem hoje em dia as tantas responsabilidades que deram as instituições de ensino?

Artur: Se deve as devidas transformações que a sociedade atual vem passando. E querer acima de tudo, um profissional que consiga atender as demandas dos que freqüenta o espaço escolar. Que aqui vale lembrar que a responsabilidade, não se limita unicamente ao papel dos professores, dos diretores, do pessoal de apoio, se faz preciso acima de tudo uma educação familiar, pautado no respeito mútuo por si e pelo outro, instituição responsável pela educação familiar das crianças. Assim, a escola poderá lhe dá com as diversas formas de manifestações presente no espaço escolar. Para tanto, necessita-se que os profissionais da educação participem e o governo federal oferte formações continuada na busca de atender estas demandas. Além de incluir profissionais de outra área no espaço escolar (psicólogo, assistente social, etc).

Marcelo: Os profissionais da educação estão preparados para lidar com os alunos que vem das minorias. Sim ou não? Dê exemplos.

Artur: A cara da pobreza no Brasil tem cor. A cara das “minorias” no Brasil tem sexo. Os portadores de necessidades especiais são “minorias”. “Minorias” que estão presentes no espaço escolar. Respeitar essas “minorias” requer acima de tudo ver o outro e sua diferença. Lidar com as “minorias” requer formações especificas nas áreas “tidas” como “minoria”, para que o outro não se veja como “minoria”, mas que se sinta maioria em sua “tachada minoria”.

Marcelo: Cite cinco nomes de professores aqui na terrinha que você admira?

Artur: Citar nomes de bons profissionais é algo complicado, levando em conta que conheço vários, cada um com suas especificidades, mas deixo aqui meu afeto, respeito, admiração, carinho, pelas minhas ex-professoras e colegas de profissões hoje.

Marcelo: Para quê você da nota 10 aqui em União?

Artur: Aos grandes professores que estão próximos de se aposentar e não conseguiram ainda por questões burocráticas. Mas pelo esforço e dedicação de anos como excelentes profissionais.

Marcelo: Para quê você da nota 0 aqui em União?

Artur: A falta de investimento em turismo, para com a Serra da Barriga.

Marcelo: Seu hobby é cozinhar, desde quando você faz isso?

Artur: É. Desde o momento em que minha mãe saía de casa para trabalhar e minhas irmãs também e daí eu tinha que sempre fazer algo para quando minha mãe chegasse a casa para comer. Muitas coisas que sei cozinhar hoje foram como elas.

Foto Especial

Quem são as pessoas da foto?